A evolução das tecnologias e linguagens usadas na rede em combinação com a conexão de banda larga e custo estreito, já utilizada em grande escala, e a violência das grandes cidades, que torna proibitivo sair às ruas, tem direcionado muita gente a praticamente ‘viver’ na web. Pela rede pode-se fazer quase tudo… Conhecer pessoas e lugares, obras de arte, fazer compras, ir ao banco, divulgar suas idéias. Até namorar via web… é um pouco demais, não?
As comunidades da rede são uma febre, juntamente com os blogs. Pode-se encontrar todo tipo de informação, de qualquer assunto, inclusive dados pessoais dos internautas.
O Orkut, que tem tido tantos problemas com a justiça por conta dos conteúdos dos usuários, é um exemplo excelente. Entre na página de um usuário que não tem vocação para hacker (falo da média dos usuários) e perceba a inocência com ele se expõe, informando onde mora, nomes de parentes, fotos, etc. Até telefone já vi divulgado.
Em qualquer comunidade que ingressamos, a primeira coisa que você tem que fazer é informar seu e-mail. Aliás, não se pede mais para o usuário criar um login, esse conceito está ficando ultrapassado. Agora o login é o seu e-mail na maior parte dos sites, você só escolhe a sua senha. Bem, ao entrar a primeira sugestão é (e isso é quase invariável): fale um pouco de você, preencha o seu ‘profile’, ou seja, informe para nós os seus dados pessoais. Essas informações são usadas, como vemos nos jornais todos os dias, por bandidos, hackers e outros, talvez piores…
Isso tudo me faz lembrar a já quase esquecida (e mais possível que nunca) ‘teoria da conspiração’. É verdade, os dados estão totalmente descentralizados em milhões de servidores pelo mundo afora, como achá-los e usá-los? Respondo que tudo é uma questão de proporcionalidade. Se estivéssemos falando de uma rede local, com 10 máquinas, com um computador de última geração seria possível, não? Nem seria caro montar uma máquina capaz de fazer o trabalho bem rapidamente, talvez uns 2 mil dólares?. Agora imagine que você tem uma verba de 2 bilhões de dólares para varrer a internet… começa a parecer menos impossível, não?
Aí surge o Google, tomando conta de todos os setores mais visitados da internet em pouquíssimo tempo e oferecendo um e-mail com 2 giga de espaço em disco (que disco? Onde está esse disco? Quem é o dono desse disco?) e com o conselho explícito: ‘não jogue mais nada fora!’ (deixe que nós tomamos conta dessas informações para você).
Ora, informação sempre foi sinônimo de poder, quanto mais no mundo de hoje. Agora eu pergunto: será que sou neurótico ou empresas como o Google podem tirar proveito dos dados que guardam? Ou até terem ligações com agências internacionais de inteligência? Sabemos que o tio Sam anda em crises de neurose com os terroristas e acabou de desembolsar alguns trilhões de dólares numa guerra estúpida… que tal então aumentar nosso orçamento de 2 mi para 1 tri? Mais viável?
Não, não fique assustado, pois realmente sou um pouco neurótico.
Claro que tudo que estou falando são absurdos jurídicos – toda empresa tem deveres legais e não pode (legalmente) se prestar a esse tipo de papel, como negociar os dados sob sua guarda. Se você acredita numa atuação legal e ética por parte daqueles a quem interessa controlar esses dados, fique tranqüilo.
Sou programador e acredito no ‘open-source’, acho que o compartilhar é o grande lance da rede. O que questiono é até onde devemos nos expor pessoalmente ao invés de apenas divulgar nossas idéias. Alguém mais inteligente que eu já disse que as pessoas interessantes falam sobre idéias enquanto as medíocres falam sobre pessoas – incluindo, naturalmente, ter a si mesmo como tema principal. Não que seja apenas o egocentrismo que leve as pessoas a divulgar seus dados pessoais na rede, a inocência é enorme também.
Compartilhe seus arquivos e idéias, mas não se exponha demais… a privacidade está se tornando um bem quase impossível de se conseguir e eu o desejo. Por isso tento dificultar em lugar de facilitar as coisas… falo isso rindo às gargalhadas! Devo ser mesmo um maluco neurótico.